Depoimentos

Estou admirado com o nível técnico desta jovem poeta, nesta geração que pensa que qualquer coisa é poesia.
Paulo Leminski, 1984

Você tem talento demais e isso será reconhecido, estou certo, mais dia menos dia. Sem favor, sem delicadeza, sem charme, você é uma Poeta. Com P grande... Foi uma alegria descobrir você.
Dias Gomes, 1984

Se o assunto é talento e transgressão, detalhes de determinadas ruas e de certas praças ressurgem cheios de cor e brilho, trazidos pela livre associação de ideias. Mas detalhes de qual Curitiba? Há a Curitiba de Paulo Leminski e a de Dalton Trevisan, dois de seus filhotes mais célebres, que revolucionaram a poesia e a prosa. Mas há também a Curitiba menos conhecida, porém tão revolucionária quanto, de Jamil Snege, Valêncio Xavier, Manoel Carlos Karam, Wilson Bueno e Luci Collin. (...) Luci acaba de provar que é uma das ficcionistas mais originais em atividade hoje no país.
Nelson de Oliveira, 2005

Me impressionaram seus contos. Eles possuem um clima raro, são elípticos, estranhos, intrigantes, belos. Mal terminada a leitura, eles pedem uma releitura. Fogem do trivial; quando se pensa que vai pelo caminho da facilidade, ele muda a mão e nos deixa perplexos.
L. A. Assis Brasil, 2008

Seja qual for a ordem da leitura Precioso Impreciso é antes de tudo texto veloz, nervoso, linguagem eletricamente carregada. Depois dele, qualquer ficção será lida com outros olhos.
Jamil Snege, 2001

Com esse dizer e fazer Luci Collin mostra seu pensar e viver e daí saiu Inescritos, esse genial livro que o leitor tem nas mãos: uma obra-prima.
Valêncio Xavier, 2004

Faz tempo que não leio uma escritora como a Luci Collin. Ousada, enxerida. (...) Rara entre as escritoras brasileiras. Cheia de graça. Poesia. E desdém. (...) Sem brincadeira. Acreditem. Vozes num Divertimento é ficção verdadeira.
Marcelino Freire, 2008

Quem é você, Luci Collin? Que domínio é esse que você tem sobre as palavras? Que palavras são essas que você usa? De onde as tira, de que mistério você as traz para nos preparar armadilhas? (...) Você foi prima de Ionesco, tia do Jarry, contraparente do Joyce? (...) Meu palpite é que você ousou entrar na casa da literatura pela porta mais legítima, a da liberdade, e pôs a imaginação e a poesia dançando com as palavras.
Maria José Silveira, 2015

Luci preza a oralidade, aposta na polifonia. Enumera. Joga com a sonoridade dos vocábulos. A linguagem é pra sentir, não pra explicar, lembra ao leitor ao atirá-lo no labirinto. (...) Com lirismo e humor, os contos da escritora flertam com o insólito. (...) Luci Collin é mesmo uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea.
Marcelo Moutinho, 2017

A variedade de vozes narrativas destaca-se como uma das linhas de força mais incisivas da literatura de Collin, associada às modulações rítmicas da linguagem que mudam de acordo com os timbres, vibrações e tessituras próprias das falas dos que narram. (...) Sempre hábil nos arranjos e desarranjos da linguagem e das técnicas de composição, a escritora vem evidenciar mais uma vez, com este novo livro, que é possível extrair da realidade, das palavras e de nossa própria existência o que elas têm de mais ordinário e extraordinário ao mesmo tempo.
Maria Esther Maciel, 2021

Luci ousa na escolha do que enuncia e no silêncio que fala (“o justo pejo do silêncio honrado na palavra feito olho”; “luz sem sombra, silêncio bruto”). Da leitura das imagens dos poemas, concluímos que o olho não é incisivo, que pode ser de “pérola e espanto”.
João Almino sobre "Olho reavido"

O que [Luci] oferece aos leitores é uma notável sequência de poemas, escrita com ponta fina, digitada firmemente. Se bem me lembro do que eu senti anteriormente, a coesão de sua poética mantém o equilíbrio perfeito de uma progressão exata de uma carreira contínua.
Armando Freitas Filho sobre "Rosa que está"

Essa iluminação – tão bela, às vezes até euforizante! – vem explicitar uma esperança só da poesia ("que talvez esteja num será"). É a confiança que Luci Collin reativa na convergência entre a vida e a escrita mesmo sem nenhuma imediaticidade que reenvie esse algo daqui a qualquer objeto estável fora da linguagem, que aqui só refere à medida que impõe uma realidade própria, insubordinável à nossa ânsia de controle sobre o mundo e sobre a representação dele que possamos projetar.
Sérgio Alcides sobre "A palavra algo"

Luci brinca com a linguagem, deforma clichês, faz juras de amor absurdas, define terminologias musicais com pequenas prosas poéticas. Num de seus contos, faz uso de um discurso digressivo à moda de Malefícios do tabaco, de Tchékhov; um outro é feito só de começos, à moda de Macedonio Fernández, mais uma brincadeira da autora que alerta: “guarde que o que faço é cópia”, ou, diria, pastiche do mais alto nível.
Dirce Waltrick do Amarante sobre "A árvore todas"

Atravessada por dezenas de vozes — as vozes das numerosas testemunhas das vidas das cinco Marias —, Luci Collin faz o leitor hesitar: seria uma autora ou um instrumento, quem sabe uma pianola, daquelas que se valem de mecanismos pneumáticos para tocar músicas registradas em rolos de papel perfurado, tamanha é a fidelidade com que ela capta a dicção alheia e a devolve em forma textual?
Joca Reiners Terron sobre "Papéis de Maria Dias: memórias pósteras"

Luci Collin vem construindo uma obra vasta e intensa nos últimos anos, sobretudo no vigor poético da sua prosa. (...) realiza uma verdadeira explosão de modos, ritmos, tons, personas, que vão construindo a cada peça toda uma nova história da linguagem possível e impossível. (...) parece recusar qualquer uso de uma linguagem pré-fabricada, bem como as noções caducas de realismo. (...) "Nunca fui de inventar prato novo. Conferi os itens na despensa." Essa conferida refinada, essa mistura inusitada é prato mais que necessário de Collin: frescor de língua viva e que demanda relações.
Guilherme Gontijo Flores sobre "Dedos impermitidos"

A leitura da poesia de Luci Collin hoje conduz ao que há de mais contemporâneo, ao mesmo tempo em que joga com o estranhamento de sua sintaxe, entre fissuras e rupturas de percepção, decisivas para a construção de um encadeamento ímpar e denso.
Jussara Salazar sobre "Antologia poética"